12 Setembro 2011

o que fez a diferença

 
Começo a usufruir desta nova habilidade, com desculpas prévias, pois quem lê este blog, está acostumado com os textos da Lorena, que transitam levemente entre muitos assuntos, sem perder a ternura, sem perder a acidez.  Bem, as desculpas são em virtude da minha pouca prática literária, quer dizer, nenhuma prática literária.

Sempre me senti um privilegiado espectador da vida, participando de muitas coisas, mas sempre flutuando, nunca me deixando levar realmente por nada. Foi assim na infância, no antigo primeiro grau e em quase tudo que me rodeava na adolescência. Mesmo estando em família, me sentia deslocado, coisa que sempre foi visível, mas que nunca me tornou diferente do resto por ter sido sempre muito bem acolhido.

Mas o que eu realmente gostaria de falar nesse texto é sobre as pequenas coisas que mudaram minha vida, descobertas que levam a outras, que levam a outras e assim modificam o seu caminho.

O primeiro grande impacto sentido foi o rock’n’roll. Lembro como se fosse agora de colocar o cd Physical Graffiti do Led Zeppelin no som e ouvir a guitarra do Page me dizer : “isso é rock’n’roll guri, isso abrirá seus olhos e sua mente”. Foi transcendental, surreal, revelador. Posso falar que essa descoberta, aos 14 anos, deu um norte à minha adolescência, me inseriu no mundo, me fazendo participar mais da minha própria vida. Logo em seguida eu descobri um tesouro: a coleção de vinis do meu tio Jorge (aqui cabem desculpas também, pois me apoderei de alguns sem pedir, mas foi por uma boa causa). Ela passava por Elvis, Simon and Garfunkel, Secos e Molhadas, Chico Buarque e o mais importante de todos, Os The Beatles. Escutar Beatles pela primeira vez, em um vinil, foi como receber aquilo que você estava esperando, ouvir o que você sempre quis ouvir. Este foi o meu segundo grande impacto.

Com o rock, mais precisamente nas influências de Humberto Gessinger, veio naturalmente a literatura e o cinema. Passei a ler, a ter paciência para isso. Comecei com Moacir Scliar, indo por Camus, Sartre, Hemingway, Orwell, João Ubaldo Ribeiro e muitos outros. Após essa libertação que a leitura proporciona, consegui conviver melhor com a minha timidez e a minha pouca habilidade nas relações humanas.

Então, aos 25, tive o terceiro grande impacto. Mas não se engane com a sua posição no ranking, ele foi o principal. Depois de indas e vindas, trabalhos e ócios , de amores e desamores, eu conheci a Lorena, essa mulher que não é só o amor de uma vida. Ela é o amor para muitas vidas. Não acredito em reencarnação, mas se ela existir, tenho certeza só de uma coisa: eu já tenho um amor garantido.

A Lorena se tornou um catalisador de coisas boas em mim. Me fez olhar o mundo com outros olhos, encarar as pessoas com outra postura, enfrentar meus medos com coragem e o principal de tudo, expressar os meus sentimentos, falar o que eu realmente estou pensando no momento, sem deixar para depois ou para nunca mais. Não sei se isso é sorte, não sei se é destino. Talvez seja um pouco de cada.  Talvez seja apenas a vida seguindo seu rumo, nos levando aonde gostaríamos de estar, mesmo que nem tenhamos nos dado conta disso.

Vinicius Kraey

P.S.: Como todo mundo que lê esse blog, eu sou mais um leitor da Lorena. Espero que tenham apreciado minhas palavras. Se não, paciência, quem sabe num próximo consiga.

9 comentários:

Lorena Portela disse...

gente, o que é que eu posso dizer pra esse homem que tá sempre me surpreendendo? o de sempre, né?

meu amor pra vida toda, te amo e morro de orgulho de ti.

parabéns pelo primeiro texto.

Milla. ;) disse...

por isso que a Lorena estava chorando de emoção semana passada.. :˜) hihi

só não entendi esse começo do post: 'Bem, as desculpas são em virtude da minha pouca prática literária, quer dizer, nenhuma prática literária'

o post tá a coisa mais linda. :˜) hihi.

disse...

Vinicius... não precisa desculpas, tu tava era escondendo o talento né? Tá lindo o texto,adorei.. Lores, agora vamos ficar na expectativa dos teus posts e os do do teu dignissimo marido :-)

Rebecca Souza. disse...

"Não sei se isso é sorte, não sei se é destino. Talvez seja um pouco de cada."

É Deus, casal querido, é Deus. :)

Lorena Portela disse...

é sim, rebecca souza, é Deus que sonda e realiza os desejos mais profundos do nosso coração. sem que nós nem mereçamos... por pura graça. :)

Evelyne Freitas disse...

Eu sempre achei que o Vi muito calado e agora que tenho mais certeza ainda de que ele tem muto a dizer, acho um disperdício não soltar o verbo. Hehehe
Mandou muito bem, já quero ler mais.
Parabéns pelo texto mas principalmente pelas "
bases".
Respeitosamente digo que é muito fácil gostar de você.

Felipe disse...

Não precisa ficar preocupado Gaúcho, o texto ficou muito bom. Adquiriu respaudo para os próximos, fãs e a admiração da Lorena com sua falsa modestia de não saber escrever, repassar o que sente e pensa. E ainda consegui know-how para uma nova profissão... hauhauhuahuah

...10!

Lídia Alcoeres disse...

É o que sempre digo pra ti Loris: a boca fala do que está cheio o coração!!! Muito bem Vinicius por expressar seus nobres e dignos sentimentos pela minha amiga! Vocês são muito abençoados por terem um ao outro e por quererem que valha a pena a vida a dois... Deus abençoe sempre!

sandra portela disse...

E eu tentando te ouvir falar algo qdo cochicha com a ló, sobre algo q me diz respeito ou não...com essa fala mansa de quem sabe o q diz e prá quem diz, realmente me surpeendeu,"bestei", como digo qdo algo é mto novo prá mim.Q legal te conhecer através desse texto tão bem escrito e de modesto não tem nada.Vc é mto especial "vizinho"Tô ansiosa pelo próximo...afinal casal q escreve unido permanece unido.